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Depressão além do estereótipo: quando o sofrimento não é visível

Quando pensamos em depressão, muitas vezes imaginamos alguém sem energia, isolado, com dificuldade de sair da cama. Embora esse seja um retrato possível, ele está longe de representar todas as formas em que a depressão pode se manifestar.

Na prática clínica, é comum encontrar pessoas que mantêm suas rotinas, trabalham, treinam, convivem socialmente, e ainda assim convivem com um sofrimento interno significativo. Entre esses perfis, estão também atletas e pessoas fisicamente ativas.


Depressão em pessoas ativas: o paradoxo do alto desempenho


O esporte costuma ser associado à saúde mental, e de fato ele é um importante fator de proteção. A prática regular de atividade física contribui para a liberação de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, melhora o sono e favorece a regulação emocional.

No entanto, isso não torna ninguém imune à depressão.

Atletas profissionais ou amadores podem vivenciar quadros depressivos, muitas vezes atravessados por fatores como:

•Alta autoexigência

•Perfeccionismo

•Medo de falhar

•Pressão por desempenho

•Dificuldade em lidar com pausas, lesões ou perdas


Nesses casos, o sofrimento pode ser silencioso. A pessoa segue performando, mas com sensação constante de insuficiência, vazio ou exaustão emocional.


“Se eu estou conseguindo treinar, então não estou com depressão”


Esse é um pensamento bastante comum, e também um dos mais perigosos.

A depressão não se mede apenas pelo nível de produtividade ou funcionalidade. Muitas pessoas continuam cumprindo tarefas enquanto enfrentam pensamentos negativos recorrentes, desmotivação, culpa excessiva e perda de prazer.

Esse tipo de distorção cognitiva pode atrasar a busca por ajuda, já que o indivíduo invalida o próprio sofrimento.


O papel da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)


A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem baseada em evidências, amplamente utilizada no tratamento da depressão. Seu foco está na relação entre pensamentos, emoções e comportamentos.


Na TCC, trabalhamos para identificar e modificar padrões como:

•Pensamentos automáticos negativos (“não sou bom o suficiente”)

•Crenças rígidas (“preciso sempre dar o meu máximo”)

•Interpretações distorcidas da realidade


Além disso, também inclui estratégias comportamentais importantes, como:

•Ativação comportamental, retomando atividades com sentido, mesmo sem vontade inicial

•Equilíbrio entre desempenho e autocuidado

•Desenvolvimento de uma relação mais flexível com metas e resultados


Para atletas, esse processo pode ser especialmente transformador, pois ajuda a diferenciar disciplina de autocrítica excessiva.


Saúde mental também faz parte do treino


Cuidar da mente não é um sinal de fraqueza, mas sim parte fundamental de qualquer processo de desenvolvimento, inclusive no esporte.

Assim como o corpo precisa de descanso para se recuperar, a saúde mental também exige atenção, escuta e cuidado.

Reconhecer sinais de sofrimento, validar emoções e buscar apoio profissional são passos essenciais para uma vida mais equilibrada, tanto dentro como fora do esporte.


Quando procurar ajuda?


Se você percebe:

•Desânimo frequente

•Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas

•Autocrítica intensa

•Sensação de vazio ou esgotamento constante


Pode ser importante buscar avaliação profissional.

A depressão tem tratamento, e você não precisa enfrentar isso sozinho.


Lilian Schurt

Psicóloga | TCC | Psicologia do Esporte

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