Adolescência: Além do "Comer para Crescer"
- Psicóloga Leticia Cerqueira

- 15 de jun.
- 2 min de leitura

A transição da infância para a vida adulta é um dos períodos de maior transformação na vida de um ser humano. Reduzir a nutrição nessa fase a apenas um suporte para o crescimento físico é ignorar a complexidade biológica, emocional e social que define a adolescência.
A nutrição na adolescência atua em três pilares fundamentais que vão muito além da estatura e do ganho de peso:
Maturação Cerebral e Cognitiva: O cérebro adolescente passa por um processo intenso de "poda sináptica" e mielinização. Micronutrientes como ômega-3, ferro, zinco e vitaminas do complexo B são cruciais para a regulação do humor, a capacidade de concentração, o controle de impulsos e o desenvolvimento do pensamento crítico.
Regulação Hormonal: O sistema endócrino está em plena ebulição. Uma dieta equilibrada é o combustível para a produção adequada de hormônios sexuais, hormônios do crescimento e a regulação da insulina e do cortisol (o hormônio do estresse). O desequilíbrio nutricional aqui pode exacerbar oscilações de humor e problemas dermatológicos (como a acne severa).
Formação de Identidade e Comportamento: O comportamento alimentar é, muitas vezes, uma das primeiras formas de autonomia do adolescente. O ambiente familiar e social molda a relação com a comida, transformando-a em uma ferramenta de expressão, pertencimento ou, em casos negativos, de controle e restrição.
O Desafio da "Fome Emocional" vs. Fome Fisiológica
Na adolescência, a comida muitas vezes deixa de ser apenas nutrição para se tornar uma resposta ao ambiente:
O Estresse Acadêmico e Social: A pressão por performance e a necessidade de aceitação social podem levar ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gorduras, que oferecem uma gratificação instantânea e uma sensação de alívio momentâneo para a ansiedade.
A Influência do "Corpo Ideal": A exposição a padrões estéticos inalcançáveis nas redes sociais gera uma vulnerabilidade extrema. A alimentação passa a ser vista sob a lente da restrição e da culpa, quando deveria ser vista como suporte para a vivência plena de todas as atividades do dia a dia.
Como Promover uma Relação Saudável
Para abordar a nutrição de forma eficaz, é necessário mudar a linguagem:
1. Sair do foco no peso: Priorize a energia, a clareza mental e a disposição para as atividades do dia a dia (esportes, estudos, lazer).
2. Educação para a Autonomia: Envolver o adolescente no planejamento das refeições e na escolha dos ingredientes estimula a responsabilidade e o interesse genuíno pela culinária.
3. Ambiente sem Julgamentos: Criar espaços onde o comer não seja um momento de vigilância, mas de convivência. Isso reduz drasticamente a chance de desenvolver comportamentos alimentares disfuncionais.
4. Conexão entre "Sentir" e "Comer": Ensinar a identificar sinais de saciedade e de fome, bem como a reconhecer quando se está buscando comida por tédio ou emoção, é a ferramenta mais poderosa para a longevidade da saúde.
Se tem um adolescente e está passando por essa situação, agende uma consulta!




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